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Ricardo Barros: gestão é o grande problema do SUS

Publicado em:09/04/2019

Durante audiência pública na Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, o ex-ministro da Saúde, o deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), afirmou que os problemas do SUS são sobretudo de gestão.

Barros citou como o exemplo a necessidade de se levar tecnologia ao interior para diminuir as longas filas de atendimento nos pequenos hospitais. “Se nós quisermos desmobilizar os hospitais de pequeno porte, quisermos que as pessoas sejam tratadas em centros de grande qualificação técnica, precisamos levar a tecnologia da telemedicina para esses locais”, defende.

Com a informatização da saúde, segundo o ex-ministro, é possível diminuir os custos do setor aos cofres públicos. “Se temos um sistema informatizado, podemos economizar mais de R$ 20 bilhões só não repetindo exames, consultas e entrega de medicamentos desnecessários”, conta.

O parlamentar cobrou do Tribunal de Contas da União (TCU) a contratação do Registro Eletrônico de Saúde (RES), embargada pelo órgão. “A alegação do tribunal é que faltou concorrente, mas foram feitos editais públicos, com chamada pública, e não podemos obrigar as pessoas a se apresentar ou, muito menos, pedir que as empresas façam uma divisão de território para ocupar seu espaço no mercado. Eu sou inconformado com as razões pelas quais o TCU suspende cautelarmente coisas que são fundamentais para a gestão da saúde. Eu tenho muita esperança que a nova equipe nos ajude a dar celeridade nesse processo”, denuncia.

Em relação aos hospitais filantropos, como as Santas Casas, Ricardo Barros conta que, um pequeno número de unidades pediu para que um centro de excelência lhe desse consultoria gratuita, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS. “Dos 2,1 mil filantropos, apenas 127 querem aprender a gerir melhor os seus recursos”, afirma.

O economista sênior do Banco Mundial Edson Araújo reforça que o SUS brasileiro tem problema de sustentabilidade, por conta do crescimento dos gastos de saúde acima do crescimento do Produto Interno Bruto entre 2003 e 2017. “O financiamento público da saúde é algo pelo qual o Banco Mundial advoga em vários países no mundo. Ele é mais eficiente, já que controla melhor os gastos, e mais equitativo – como o SUS. No entanto, deve ser separado da provisão, a administração privada. A experiência brasileira mostra que onde houve essa parceria, onde um aumento no acesso das pessoas”, argumenta o economista

O representante do TCU, Carlos Augusto Ferraz, afirmou que as recomendações do Banco Mundial são consistentes com as recomendações do TCU, por exemplo, em relação à implantação de redes integradas de atenção à saúde e ao fortalecimento à atenção básica.


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